domingo, 8 de novembro de 2009

A Água que Deus manda

Uma das grandes preocupações, minha e da Ju, era a de que chovesse no dia do Casamento. A gente perdeu várias noites de sono com isso. Como a noiva entraria na Igreja? E a festa, como seria? E o radicional pulo na piscina? Bom, o fato é que fez uma noite linda naquele 31 de outubro. Agora, em compensação, o Pai lá de cima tá mandando toda a água que economizou antes. Ontem em Marseille deu tristeza, não parou um segundo sequer. Em Mônaco cessou, e as fotos ficaram bem legais. Acordamos com um céu firme, que prometia sossego. Ledo engano.

Saímos do hotel Le Grand Cap ao meio dia precisamente, na direzione de Piza, a cidade da torre. Pouco depois de entrarmos na Itália, a chuva começou. Começou e não parou mais, nos quase setecentos quilômetros rodados até Roma. Só quando batemos na capital Italiana foi que São Pedro deu um tempo e desligou a torneira, o que nos dá a esperança de, quem sabe, amanhã ter um dia agradável neste que é um dos pontos mais esperados por nós.

Foram muitas paradas no caminho, o fuso ainda tá pesando forte. A gente simplemente não consegue dormir antes das cinco da matina,acaba levantando tarde e sofre o dia todo. Comemos tanto lanche que já ganhamos uns dois quilos cada. A comida aqui é ruim, mas os quitutes é que ferram com a vida. É muito queijo bom, presunto bom, chocolate bom, bebida boa. E você vai gastando, vai gastando sem pensar, porque dá vontade de comer, de experimentar. Ontem mesmo eu cheguei a Mônaco comendo uma barra de Emental como quem come uma barra de chocolate, na base da mordida. Mas tem hora que dá vontade de rango mesmo, e aí o bicho pega. Ontem comprei uma Pizza pra gente que sequer merecia ser chamada de Pizza, com todo o respeito.

Pisa é uma cidade bonita, meio medieval como todas na Itália, com construções antiquíssimas, ruas estreitas, arcos e nenhum estacionamento. Chegamos com o maior Toró do mundo, e já eram umas seis da tarde. Aqui, seis da tarde e noite, escuridão, breu. Cinco horas anoitece nessa época. Rodamos atrás da Torre, e quando a encontramos, foi uma alegria só. É como ver algo que você sente que já viu antes, mas com a alegria de ser a primeira vez. Um lance de absorver a importância do lugar, a relevância que aquilo tem pro mundo. Pô, a Torre foi cenárioaté de desenho do Pica Pau. Não dá pra não ficar emocionado.

Uma coisa, porém: ela é menor do que a gente imagina. Pensei que fosse gigantesca, bitela. A Ju pensou a mesma coisa. Não é. É do tamanho do Therezão, ou um pouco maior. E torta, torta demais. Procuramos estacionamento e foi duro de achar. Quando encontramos, era longe demais da conta, e a chuva desmotivou. Resultado: decidimos violar a lei. Paramos ao lado da Torre, em local proibido, rezando para a Polizia não nos pegar no flagra. A chuva não parava, e as fotos saíram boas demais diante das circunstâncias.

Prosseguimos até Roma sem grandes fatos novos, a não ser o de que paramos para comer COMIDA (numa rede Italiana, a Ciao, Beto e Wago conhecem bem) e vimos o time do Siena no posto, voltando da derrota contra a Gênova. Pensei no Bugre, e doeu o coração. A chuva não parava. O time do Siena subiu no ônibus e foi embora. Pensei no Bugre, Vai subir, quando eu voltar.

Chegamos a Roma. Não está chovendo, e o tempo parece querer firmar. O Hotel é espetáculo, lençóis de seda verdes e quarto amplo. Já são três da manhã. Desgraça, vamos atrasar de novo.

Arrivedecci!