Zurique é a cidade perfeita. É tanta falta de problema que dá melancolia. Acho que por isso a taxa de suicídio é tão alta aqui. Não há sujeira na rua, o povo é bonito, as coisas funcionam, o rio é limpo e até o trem pára pra você atravessar a rua. Some-se a isso o fato de estarmos no Holiday Inn, um hotel quatro estrelas espetacular, com quartos modernos e um serviço de altíssima qualidade, e o mundo fica muito próximo do perfeito. Eu e Juzinha acordamos por volta das nove da matina para o café da manhã, e realmente valeu a pena: decerto o melhor breakfast até o momento. Muita variedade, pratos quentes, tipos e tipos de bebidas, e um restaurante agradável.
Deixamos o hotel tristes em perder a oportunidade de ficar ali mais uns dias, e fomos procurar um estacionamento na região central. A gente só estaciona em lugar coberto e fechado, muito embora a Europa não seja o Brasil e aqui não haja tanto problema em se parar na rua. De todo modo, estamos com malas, com dinheiro, e não vale a pena arriscar. Achamos um ótimo lugar, coisa de trezentos metros do miolo da cidade, e depois de alocarmos o possante, andamos até o centrinho turístico e comercial.
O rio que corta a cidade e passa ao lado da Estação Central de trens e metrôs é a referência de Zurique. Limpíssimo, povoado por cisnes e patos, em suas margens se situam cafés, pequenas lojas e restaurantes. O comércio pesado está numa paralela acima, que eu não conhecia ainda – apesar de ser minha terceira passagem por aqui – e acabei encontrando meio que sem querer. Juzinha gostou demais de Zurique, e não parava de repetir: “No Brasil, é uma pessoa feia em cada dez. Aqui é uma pessoa feia em cada mil”. De fato. Minha discordância, porém, é no que faz o sujeito ser feio. Aqui, eles têm dinheiro. Com dinheiro, todo mundo fica bonito.
Caminhamos pela margem oposta do Limmat (o nome do Rio de Zurique) observando as lojinhas, as pessoas e os pássaros que pescavam e procuravam os humanos para receber comida. Se eu não me engano, é proibido alimentá-los, mas o povo sempre dá um jeito de jogar um farelinho para que eles se aproximem. Fomos até o final da rua tirando fotos e curtindo, e voltamos pela paralela de cima, que é uma ruela estreita também de pequenas lojas e restaurantes. Fizemos a sessão compra de brindes e tornamos lentamente à ponte principal ao lado da estação de trem.
Ali há um mercado, mercado mesmo, onde eu sempre faço o arregaço do chocolate. Desta vez Juzinha estava comigo e se entusiasmou. Carcamos a coisa e chutamos o barril de tanto comprar. Pra mostrar que a gente é muito clube do Whisky e superior à normalidade da população mundial, adquirimos a módicos 30 euros uma Moet Chandon (Moet, pobres, não a Chandon Normal, aquela boca de porco de quarenta cruzeiros no Brasil) para celebração quando estivermos em Brugges, na Bélgica (daqui a dois dias).
Assim terminou a etapa Zuriquiana da viagem. Antes, porém, de encerrar o post de hoje, quero dizer aos amigos do Brasil que em nenhum dos hotéis em que estive – todos quatro ou cinco estrelas – há quadros com motivos florais. Isso porque quadro de flor é coisa de pé rapado. Lembrei-me da tia Sílvia, cuja essência coaduna com Pinguins de geladeira e quadros de flor, e fiquei pensando como é que o tio Renato, um homem fino e de rara elegância, pôde se casar com ela. O Tio Renato combina com Zurique. A tia Sílvia, no máximo com Cubatão. Bem que dizem que os opostos se atraem.
Brincadeira, tia Sílvia! Um beijo pra vocês aí no Brasil. Na volta te dou um chocolate Suíço. Mas não me vá guardar o papel de lembrança...