Pra variar, perdemos hora. A gente ainda tá completamente fora de fuso. Confiando em nosso relógio biológico, não pedimos para que nos despertassem, e o resultado foi um quase desastre. Acordamos dez e meia, meia hora antes de encerrarem o café da manhã (que já estava pago, diga-se de passagem, e que custa uma fortuninha, diga-se também). A gente se arrumou do jeito que deu e, quinze para as onze, estávamos no restaurante do Hotel. Ainda bem que o desayuno vai até as onze. Deu pra comer rapidinho, e comer rápido nunca presta. O Celo ficou com dor de estômago, e tivemos de dar um tempinho pra sair, até as coisas normalizarem.
Uma da tarde e deixamos o hotel em direção ao centro. Tomamos o metrô na estação Barajas e, cerca de meia hora depois, apeamos (nossa, apear é muito Dois Correguense) na estação Puerta del Sol, no centrão da capital madrilenha. Já de cara, a bela cena do largo defronte à Câmara Presidencial. Primeiras impressões da Juzinha: "Madrid é uma São Paulo limpa, bonita e sem gente feia". Descrição perfeita. Ou seja, é uma São Paulo sem São Paulo. Deu pra entender?
Bom, vamos em frente. Caminhamos até a Ópera, e de lá para nossa primeira parada oficial, o Palácio Real. Não sem antes, porém, tomarmos o nosso primeiro tombo em solo Europeu. Fomos abordados por duas jovens que pediam que assinássemos uma lista. Era um lance para construção de algum barato em prol de surdos mudos. Assinamos. E só aí vimos que, junto com a assinatura, tinha uma doaçãozinha. Cagada. Bom, dez eurinhos foram pro buraco. Não adianta, a gente sempre tem que tomar um tombinho pra ficar esperto por aqui. A Ju ralhou com o Celo, que foi o verdadeiro burro da história. Mas como qualquer desgraça é bobagem, seguimos em direção ao dito Palácio.
Pra quem ainda não veio, vale a visita. Lindo demais, imponente, arquitetura de babar. E então a primeira boa surpresa: SULAMERICANOS NÃO PAGAM MAIS PARA ENTRAR! Todos os outros são obrigados a arcar com oito Euros de ingresso, mas a gente tem apenas que mostrar o passaporte e passar batido. Sei lá, acho que eles têm dó da gente. Que bom. Entramos no Vasco (troca, troca: entramos no 0800) e fizemos o belo passeio que começa na sala da armada espanhola, cheia de armamentos e armaduras antigas, e termina nos cômodos do palácio em si, decorados em ouro e com uma opulência de assustar. Lustres gigantescos em cristal, Vasos monstruosos, a sala do trono, uma mesa de jantar com uns cinquenta metros ou mais, tapeçaria digna de Reis. Muito massa, e de graça. Na saída, uma cena curiosa: o soldado da Guarda Real, vendo o Celo de jaqueta de couro, óculos escuros e mochila, certamente o teve por terrorista. Abordou no sopetão, meio bravo, querendo saber de onde a gente era. Quando ouviu "Brasil", se abriu igual mala véia, e até deu um sorriso. Fosse o Galli e tava preso até agora.
Seguimos perambulando pela cidade sem objetivo, e paramos no simpático mercadinho de San Miguel (a Ju que lembrou o nome, por causa do tio Zé Miguel), onde tomamos uma coca, uma água e um café. Valia a pena tomar um vinho e comer uns negocinhos, mas a gente não tava aguentando ver comida naquela hora, muito menos bebida. Mais uns passos e entramos na Plaza Mayor, um dos lugares mais lindos da Europa. A música rolando de fundo, a praça inteiramente fechada por prédios, pessoas comendo, cnversando, algumas sentadas no chão, outras em mesas de bares. Artistas de rua, lojas de souvenir, e um céu azul sem uma nuvenzinha sequer. Cenário desses que fazem a gente agradecer a Deus por tudo que tem na vida.
Aí a Juzinha resolveu despertar o seu bichinho comprador e saiu arregaçando. Foi Blusinha, lencinho, óculos e, quando o Celo se deu conta, já tinha ido mais de cinquenta mangos. Bom, o Celo também comprou uns badulaques. Viagem é pra isso mesmo, não tem como evitar. E mais passeio, voltas e voltas por essa cidade feita de prédios bem conservados e antigos, cheios de história e que a gente tem vontade de transformar em miniatura e levar pra casa.
Ah, eu não posso deixar de dizer que Madrid é, também, uma cidade totalmente CLUBE DO WHISKY. Começa pela linha de metrô, que tem uma estação feita exclusivamente para os Bugrinos mais nobres do universo (vide foto). As pessoas são bem vestidas, todos bebem vinho e gastam em profusão. Numa das mutas vielas, o Celo encontrou o simbolo mor da confraria. Camisa do Glorioso no peito, não pôde deixar de honrar os seus com uma bela foto no mais puro estilo NB=<>=BC. Aqui é muito Guarani, porra.
Quando bateu as sete e pouquinho, a Juzinha cansou. Resolvemos, então, retornar ao hotel, para jantar e descansar um pouquinho. Jantamos no Burguer King (a Ju gosta) e agora estamos descansando confortavelmente em um quarto quentinho e aconchegante (parem de pensar besteira, seus, seus...). Amanhã tocamos para Barcelona, nossa próxima parada. E deixa a gente dormir logo pra ver se dessa vez acorda na hora!
É noixxxx!!!!