Amigos e parentes do Brasil varonil, finalmente São Pedro resolveu nos dar uma trégua. Roma amanheceu com o céu límpido do Outono Europeu, azul anil sem uma única nuvem a incomodar. Desconfio que o Santo mudou o tempo por interesse: afinal, era dia de conhecer a famosíssima Basílica de San Pietro, situada na praça com o mesmo nome, coração do Vaticano, sede da Igreja Católica no mundo e um dos lugares que mais recebe turistas no globo. Independente da sua religião, vale a visita. Há museus, coisas para comprar, obras de arte e gente de todo o tipo e de todas as crenças circulando.
Chegamos nas redondezas por volta do meio dia, depois de café da manhã reforçado e tempo para arrumar as malas e fazer o check out do hotel. Temerosos com filas, optamos por começar a vista pelo Museu do Vaticano, onde se concentram peças de arte de todos os países e povos antigos. Há muita coisa egípcia, etrusca, grega e tudo mais, até múmia – de gente e de gato, as coisas que a Juzinha mais gostou. Pode-se fotografar livremente cada sala, e há muito o que ver, o museu é gigantesco. A visita termina com a passagem pela Capela Sistina, obra do Grande Michelângelo, que é mesmo muito linda, mas (penso eu) não mais linda do que as tantas outras obras por ali. Há uma sala de tapeçarias, por exemplo, que é de cair a cara. O chato é ter de dividir espaço em todo canto com os grupos conduzidos por Guias Turísticos, que atrapalham as fotos e enchem o saco.
Depois de o Celo enviar um postal do Vaticano para a família (pelo correio interno do Vaticano, é claro), o casal ganhou novamente as ruas romanas e caminhou sem pressa rumo à Piazza San Pietro. Visão que vale os retratos, a praça é gigante, a basílica igualmente. Entramos no espaço da Igreja, e passamos primeiro pelas tumbas papais, onde estão enterrados os papas de alguns séculos para cá (inclusive o João Paulo II, cuja tumba é a mais visitada e enfeitada). Depois, observamos os Seguranças da Guarda Suíça com suas roupas “diferentes” baterem continência para todo padre que entrava na cidadela (e olha que tinha padre lá, viu). Finalmente, seguimos para a Basílica em si, que é um espetáculo de grandeza e beleza.
São dezenas e dezenas de altares, esculturas, painéis, tudo sob o monstro que é a Igreja em si, com uns bons quarenta ou cinqüenta metros de pé direito e tetos abobadados. Há de tudo, desde o altar em que só o papa celebra missas até corpos de papas falecidos, murais e o que mais possa haver em uma Catedral. Aliás, existe diferença entre Igreja, basílica e Catedral? Quem souber qual é, ganha um boné da Cidade do Vaticano. Eu comprei um, muito bom. Soube que o Passaporte mais valorizado do mundo é o Vaticanês, pois só existem cerca de quinhentas peças em circulação, as quais dão direito ao Portador de entrar sem visto em qualquer canto. Se é verdade ou mito, só o Google mais tarde poderá dizer.
Eu particularmente fiz a minha oração e agradeci por tudo o que conquistei. Pelos amigos fiéis que tenho, pela família que segura o meu rojão, pela nova família, pelo casamento lindo que eu tive, pela viagem que estou realizando, por meu trabalho. Rezei pelo Bugrão também, apesar daquela história de que não adianta rezar por time de futebol – visto que o outro time também é de filhos do Pai. Dane-se, rezei mesmo assim, afinal os filhos do Pai de Ipatinga já não estavam mais grandemente interessados nessa desgraça de partida.
A viagem para Veneza foi cansativa, sete horas e meia de duração, com muitas paradas e muito sono. Estamos pensando em mudar o roteiro e encurtar as distâncias, pois apesar de toda a diversão que é estar em cada lugar num dia, é duro suportar as rotinas de estrada sozinho. Chegamos a Veneza uma e quinze da matina, cinco minutos depois de a última balsa ter saído para a ilha de Lido, onde fica o hotel que havíamos reservado. Tivemos que procurar outro por aqui mesmo, e mais uma vez o Pai lá de cima deu uma força: achamos um que é simplesmente animal, e com estacionamento (talvez o único de Veneza).
Pra completar, chego e descubro que o Bugre ganhou e está com um pé na Premier League. Emidião, meu Charuto Cubano Havana tá preparado. Vou fumar tão logo a matemática nos devolva ao nosso lugar de merecimento.
Beijos a Todos!