quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Uma Grata Surpresa

Brugges é mais do que se poderia esperar. Além de a casa de hóspedes em que estamos ser um verdadeiro espetáculo de acolhimento – tudo bem, é pequena, e a Ju acha que de noite parece mansão de filme de terror, mas é familiar demais, e os donos são hiper atenciosos –, a cidade em si tem cara de volta no tempo. São casinhas e casinhas de tijolo aparente, fortificações encravadas, castelos ou restos de castelos, igrejas antiquíssimas, praças largas e tudo o que se pode encontrar em uma cidadela no século XIII.

Some-se a esse cenário medieval uma farta coleção de lojas de chocolate. Mas não dessas lojas quaisquer, onde o chocolate é um simples produto a se comprar. Aqui, o chocolate é obra de arte, ainda mais em tempos natalinos. Casinhas, bonecos, papais noéis, renas e tudo o que o chocolate pode construir, até mesmo garrafas de cerveja e coisas que não convém dizer em um blog de família. Um espetáculo à parte é simplesmente admirar vitrines e babar nos quitutes que a turma fabrica. Lógico que não há como resistir e a gente acabou entrando numa loja e comprando uma singela caixinha, a única que dá pra levar embora na mala. Judiação.

Rodamos sem destino e usando o mapa apenas eventualmente, sem nos prender a nenhum roteiro ou atração. O tempo de novo não ajudou, e a chuva fria acompanhada de vento desgastaram. Mesmo assim, Juzinha estava elétrica, e gostou tanto do passeio que não queria ir embora. Passamos em um bar cujo dono tinha dentro uma enorme maquete com trens, ônibus, casas, tudo em movimento, um espetáculo. Tomamos chocolate quente e capuccino, lotamos a memória das máquinas e fizemos o check point compras, com a tradicional conta 98% Juzinha, 2% nóis.

Depois, circulamos atrás de um lugar pra comer e, sem querer, descobrimos duas grandes atrações. Primeiro, uma loja de natal que era simplesmente um mundo encantado, com tanta coisa bonita que não deixava a gente ir embora. E, como tudo que é bonito e de qualidade, tudo também era muito, muito caro. Senti tristeza de o nosso apê ainda não estar pronto e não termos sequer uma árvore de natal, ou eu a encheria de enfeites daquele lugar, mesmo correndo o risco de fazer uma dívida eterna. Compramos meia dúzia de badulaques, só pra não sair de mãos abanando, e depois de umas duas horas de fascinação, vimos que era hora de vazar.

Na seqüência, demos de cara com um lago muito bonito, lotado de cisnes, patos, gansos e todo timo de bicho aquático e gramático, como diria o jogador. Juzinha, cuja predileção por animais em detrimento até mesmo de seres humanos é fato conhecido, não queria mais ir embora. Passamos mais um bom tempo, uma hora talvez, admirando as aves se matarem por causa das migalhas que uma moça atirava na água. Pancadaria geral, com os cisnes pescoçudos e maiores descendo a bota nos patos pequenos, estes mais ágeis e sempre tomando no bico grande. Quando o frio me impedia de movimentar falanges, obriguei Juzinha a abandonar o culto aos irracionais e fomos, decididamente, procurar o que comer.

Acabamos em um restaurante de pratos rápidos, onde mandamos ver em spaguetti e lazanha, dessas que tá na cara que são feitas em microondas. Buenas, saiu barato demais e a comida estava muito boa, além de em porções volumosas. Restou-nos voltar ao carro e tomar o rumo da hospedaria, para uma noite de sono decentes antes de nossa viagem à ilha da Rainha. Ali, na alfândega, o bicho pega , e não é o bicho que a Jussara gosta.

Tchau (em quatro línguas, pois na Bélgica se fala Alemão, Holandês, Inglês e Francês. Ô povinho indeciso!)