domingo, 15 de novembro de 2009

De milanês, prefiro o bife

Milão não é lá grandes coisas. Quem me vê falando assim pode achar que é arrogância pura, mas a verdade é que para quem faz um tourzão na Europa como a gente, a metrópole Italiana ao impressiona quando comparada a outras cidades importantes do velho continente. Roma, Berlim, Londres, Paris, Madrid, todas são mais interessantes. Tá, tudo bem, são capitais, mas o que eu quero dizer é que Milão não faz jus à fama milanesa. Todo mundo fica achando que o lugar é mais do que realmente é. É bonito? Sem dúvida. Mas é menos do que se espera.

Depois de acordarmos às sete da matina pra tirar o carro antes do horário de cobrança, fomos para o centro e arrumamos um estacionamento coberto a preço bom e bem localizado. Dali ao Duomo, a Catedral famosa no miolo milanês, foram alguns poucos passos, não mais do que quatrocentos ou quinhentos metros. Pela primeira vez em três visitas à Europa, eu pude ver o Duomo sem reformas, sem a fachada coberta por tapumes. Isso proporcionou lindas fotos, e Juzinha, que não estava muito bem humorada em função dos acontecimentos da noite anterior (os problemas com o carro e a grosseria do sujeito do hotel comigo), se soltou um pouco e voltou a curtir o passeio.

Caminhamos soltos pela Galeria Vitório Emanuelle, andando entre as vitrines das lojas da Prada, Louis Vitton, Svarowski, Camisarias Italianas e bistrôs requintados. Tomamos café e seguimos pela rua principal observando a capital da moda, que nisso é realmente insuperável: muita roupa linda, coisa de Clube do Whisky, ternos bem cortados, sobretudos e capotes distintos, roupas femininas de detonar o demônio consumidor interno. Pechinchas de três, quatro, cinco mil euros, e gente bem vestida circulando. O ponto negativo fica para os africanos que insistem em amarrar uma pulseira em seu braço e tentar lhe tomar uns trocos, além de ativistas do Greenpeace lutando para arrancar fundos.

Passadas na Hugo Boss, Zara, Guess. Estava frio mas a caminhada nos esquentou. A decoração natalina já toma as ruas e comércio, árvores de natal estilizadas atraem os olhares dos transeuntes. Retornamos à praça do Duomo e andamos ao sentido contrário, até o Castelo Sforzesco, do antigo Duque de Milão. Mais fotos excepcionais, dessas que nos fazem entender o significado do outono europeu – fica pra vocês conferirem por si próprios. Entramos na fortaleza, observamos as crianças brincando no gramado e os turistas curiosos com suas máquinas fotográficas frenéticas. Mais africanos com suas pulseirinhas e intervenções desagradáveis, mais grupos com Guias para atrapalhar as fotos e o silêncio. A Europa aqui é a imagem do novo: ainda linda, mas deteriorada.

Seguimos devagar para o estacionamento a fim de continuar viagem, não sem antes fazer a costumeira parada dos brindes. Foi um ponto de visita menos interessante do que os outros, sem dúvida, mas penso que a Juzinha não poderia perder a chance. A verdade é que ela estava cansada da Itália – e eu também, devo confessar. A gente tá precisando um pouco da educação formal anglo saxã, daquela frieza respeitosa quer só os alemães têm. Foram três horas até Zurique, três horas de paisagens bucólicas, Alpes nevados, vacas pastando com seus sinos a tilintar, a perfeição em forma de lugar.

Zurique é limpa e organizada, o oposto de Milão. Dez minutos de olhar levaram a Juzinha à essa conclusão. O hotel... putz, o hotel é perfeito. O melhor até agora. Deixa Milão pra trás. Daqui pra frente é outra história.