O dia 18, de ida para Londres, foi um verdadeiro desastre.
Começou com a maldita herpes, que de uma vez por todas resolveu estourar na minha boca. Bom, eu agradeci a Deus, pelo menos não foi no casório. Sou o rei da herpes bucal em datas pouco propicias, e entrar na Igreja com a feridona na boca seria o fim da picada. Escapei da desgraça naquele tempo, mas não agora: o cansaço das viagens seguidas, a má alimenção, o dormir errado e fora de fuso me trouxeram a velha companheira do passado que de vez em quando aparece pra uma visita. Orientado pela dona da Hospedaria, fui até a farmácia e comprei a famosíssima Zovirax, que tem o mesmo nome aqui e no Brasil, graças aos céus.
Tomamos café da manhã (eu na linda sala de café, a Ju no quarto) e pegamos a estrada para Londres. Ou melhor, para Calais, cidade francesa onde fica uma das muitas balsas que levam à Inglaterra, aquela que tem o menor trajeto. Uma e pouquinho compramos os bilhetes, e precisamente a uma e quarenta da tarde embarcamos no Ferry Boat. Vale acrescentar que, pela primeira vez, eu não tive o menor indício de problema com o pessoal da imigração inglesa, que é bem rígido e chato. Penso que isso tenha decorrido do fato de eu ter todas as reservas nos hotéis feitas, as cópias das passagens, dos documentos de aluguel do carro e o escambau. Juzinha acha que é simplesmente porque ela tem cara de Européia. Tá, então.
A Balsa foi um crime. Mar bravo, agitado, tempo ruim. O trajeto que deveria demorar cerca de uma hora demorou quatro. E eu passei mal como o diabo. Fiquei totalmente enjoado, inventei de trabalhar a bordo e o resultado foi meia hora vomitando no banheiro. Juzinha fazia de tudo pra eu melhorar, mas nada adiantava. No fim, estômago vazio de tanto gorfo, adormeci todo torto, encostado no ombro dela, daquele jeito que só quem tá na beira do abismo consegue dormir. Quase seis da tarde a balsa finalmente aportou em Dover, e tocamos o pau em direção a Londres, mais centro e sessenta quilômetros de chão.
Cento e sessenta quilômetros não: cem milhas. Aqui é tudo diferente, milhas, jardas, dirigir à esquerda e ultrapassar pela direita, o volante dos carros e o lado do pedágio. Pedágio. Depois que paramos pra comer no Buguer King foi que me toquei que não trocara um centavo. Na Inglaterra, não rola Euro, é Libra. Eu não tinha uma. Pagamos o rango no cartão e rezamos pra não ter pedágio. Claro que tinha. Fiz uma puta duma presepada, parei no acostamento de um jeito perigosíssimo, mas uma boa alma filho da Rainha veio em meu socorro, e me disse que eu poderia pagar o pedágio com Euros. Virou.
Chegamos ao Hotel. Nome: The Fox and GOOSE Hotel. Só isso já garante o status. O quarto é grande, o banheiro bom, mas a cama é minúscula. Juzinha, claro, desceu a boca. As tomadas são ao estilo Inglês, e eu precisei largar mais cinco euros na recepção para garantir o empréstimo do adaptador. Bom, depois de tanta dor de cabeça, restava mesmo cair nos braços de morfeu e dormir o sono dos justos. Londres é o tipo de passeio que exige muito da perna, e amanhã a gente provavelmente vai andar como camelo.
Então, beijo pra quem fica!