Era pra ser um dia melhor. A falta total de planejamento o transformou num dia de apenas compras – e não que isso desagrade a Juzinha, pelo contrário, mas o fato é que precisávamos ter visto mais do que vimos. O cansaço da viagem de ontem e de todos os problemas enfrentados ainda estava no estômago, e a gente acordou tarde. Pra variar, o tempo não se mostrava muito convidativo, e depois de algum debate, eu caí na besteira de me deixar convencer a ir de carro pro Centro. Burrice.
Londres é cheia de frescura. Há lugares em que você só pode entrar se pagar pedágio, e não é um pedágio normal. Eu nem sei como funciona, mas imagino que você precise pagar e cadastrar o seu carro, pois do contrário te fotografam e multam. São áreas centrais controladas, e você nunca sabe quando vai dar de cara com uma delas. Some isso ao stress de estar dirigindo na mão contrária e num lugar que você não conhece e a lapada está completa. Dirigir em Londres é a maior burrada que alguém pode cometer.
Próximo uns dois quilômetros do centro, e cagando de medo de levar multa, encostei pra verificar o mapa que ganhamos da atendente do hotel. Dois minutos e encosta um cara pra me multar. Eu começo a pedir desculpas, a dizer que estava perdido, que não sabia pra onde ir e onde estacionar. Primeiro, desconfiado, ele checa. Vê que eu tenho euros, mas não tenho pounds (ou libras, é a mesma coisa). Depois, vê minha placa. Pergunta de onde somos, e eu explico que somos brasileiros em lua de mel. Aí o cara se derrete. Ajuda, informa, colabora. Primeiro, me auxilia a pagar o parking com cartão de crédito. Ah, antes arruma uma excelente vaga pra mim. Depois me indica onde comprar moeda, e ainda me explica direitinho como devo proceder para não ser multado. São 12h30, e eu posso ficar ali até 4h30. Ele me dará um descontinho, até as 5h. Agradeço muito, e nos vamos.
Pegamos o metrô até Oxford Circus e caminhamos em direção à Picadilly, onde fica o comércio. No caminho, tomamos café no Starbucks, e paramos em lojinhas de souvenirs onde Juzinha faz as primeiras vitimas dentre o meu Pound recém adquirido. Seguimos para a Lillywhites, a loja dos sonhos do brasileiro, onde tudo custa pouco, inclusive roupas de grife como adidas, Nike, camisas de times e tudo o mais. Acho que são peças com pequenos defeitos. Não importa, é barato, e fizemos a festa, em especial ela. Foram exatos 153 pounds de porcariada, roupas e mais roupas.
Com as sacolas pesadas e em cima da hora, voltamos ao carro. Trocamos o bilhete de parking, cumprimentamos o novo amigo, mais um papinho pra descobrir peculiaridades e fomos inovar com mais uma refeição no Mc Donalds. Com frio, desistimos de retornar ao centro, e optamos por ir a Camden Town, o bairro dos loucos, punks, hippies e lojas coloridas e divertidas. Já era tarde, tudo estava em processo de fechamento, mas ainda deu pra ver a beleza do lugar e, óbvio, gastar uma bela grana. Dia caro, Jesus do céu. Pelo menos rolou um acordo: O hotel, quem vai pagar é a Ju.
Chegamos ao hotel já batendo dez da noite, dispostos a descansar realmente pra amanhã aproveitar o dia. Vamos ao Museu de Cera, à Roda Gigante, ao Big Ben, ao Palácio de Buckingham e voltar ao centro, à loja, para despesas de última hora. Será um dia longo e cansativo, e portanto não vale a pena perder tempo.
Bye!