Hoje foi um dia em que eu e Juzinha não estivemos muito bem. O cansaço prejudicou um pouco o humor de ambos, e muito embora a visita tenha sido de alta qualidade, sem dúvida haveria ocasiões melhores para conhecer o Louvre. Pudera: são três semanas viajando, pingando em hotéis e lugares diferentes, pegando trechos longos de carro e comendo porcaria. Creio que hoje tenha sido o dia da descarga emocional, e a gente tava meio com a pá virada. E, quando os dois não estão muito “flor que se cheire” (aprendam, futuros casados!), o melhor mesmo é cada um ficar na sua até a poeira baixar.
O Domingo amanheceu bonito, e diante do trânsito tranqüilo (além do fato de a estação de metrô situada na frente do hotel fechar aos domingos), resolvemos ir de carro pro centro. Escolhemos visitar o Louvre, porque sabíamos que o comércio não funcionaria. Em cerca de dez minutos, paramos o carro em um estacionamento maravilhosamente posicionado ao lado do museu – muito embora caro como a desgraça – e tomamos o rumo da entrada. Nesse instante, a velha companheira de viagem resolveu aparecer. O tempo fechou e, adivinhem? Chuva. Dane-se, nossa visita é coberta mesmo. Compramos os ingressos (9 euros a entrada de adulto) e afundamos pelo acesso Denton.
O Louvre tem três acessos, cada qual para uma de suas alas, mas qualquer um deles leva a todos os lugares obviamente. A diferença é que, como o museu é grande, se você entrar por um determinado acesso, pode estar mais perto ou mais longe do que realmente interessa – no nosso caso, a sala dos pintores italianos. Eu, veio de guerra e com duas na bagagem, sabia por onde entrar. Rapidamente acessamos a galeria desejada, e começamos o trajeto de admiração das muitas obras de arte que fazem o Louvre ser um lugar tão legal.
Na boa, nem eu nem Juzinha somos grandes fãs desse lance de arte. Só que aquilo ali impressiona até quem não conhece nada e não se interessa por nada. São quadros que você fica se perguntando como o desgramado do pintor conseguiu fazer. Claro que você tem de ir ver a Mona Lisa, a Madonna das Rocas e as coisas do Da Vinci, que são o grande sucesso do museu, mas há outras obras que te fazem questionar: Pô, mas porque essa não é a mais importante? Tem um quadro gigantesco na mesma sala da Mona Lisa, por exemplo, que retrata uma Santa Ceia, só que em meio a uma espécie de cidade. Povo, é de embasbacar. Imensa, com, sei lá, dez metros por vinte. A perfeição de detalhes, o capricho, tudo assusta. E essa é uma só, há inúmeras outras que valem os mesmos elogios.
Necessário comentar: Estou eu parado ao lado de uma obra esperando Juzinha fotografar quando um cara passa e diz: “Guarani?”. Percebi que era comigo, afinal eu era o único vestindo o manto ali. O cara era de Piracicaba, gostava do Bugre, estava contente com o acesso e quis até tirar uma foto minha beijando o símbolo. Fiquei feliz pra cacete, como fico sempre que reconhecem o Bugre campineiro. No Louvre? O Bugre é demais!
Da seção dos pintores, seguimos para a galeria das jóias e objetos da coroa francesa. É uma das salas mais bonitas do museu, com paredes e tetos decorados. Você pode ver a coroa real, objetos em ouro, cristais e coisas que a Realeza ostentou antes da Revolução. Depois, caminhamos pelas seções grega, etrusca e, finalmente, egípcia, que é das que a Ju mais gosta. Vimos os muitos sarcófagos, as estatuetas de argila e pedra, e terminamos com as esfinges e a gloriosa múmia não identificada, com aquele aspecto de múmia do chaves, enroladíssima, sem rosto, diferente da múmia do Vaticano.
Cinco horas de passeio e partimos para o hotel. Dia puxado vale um jantar decente, e jantamos em uma belíssimo restaurante a meros trinta metros do hotel. O cardápio? Spagetti Carbonara pra mim, Tagliatelli Bolonhesa pra Ju, além de bruschetta na entrada. Satisfeitos, voltamos aos aposentos, porque amanhã o dia promete ser mais puxado.
Voilá!