Depois do dia de hoje, não dava pra começar o blog de outra maneira. A verdade é que tudo que a Itália tem de lindo e maravilhoso, o povo tem de chato. Eu e Juzinha acordamos por volta das oito e meia, tomamos o café da manhã de sempre (o mesmo de ontem, pão, presunto e queijo, geléias e manteiga, café e chocolate) e arrumamos a mala para o check out. Pretendíamos deixar as coisas no carro, fazer o passeio final em Veneza e depois tocar para Milão, 260 quilômetros de estrada, nossa parada seguinte.
Fizemos o check out com um rapaz gente boa fiscalizado pelo desagradabilíssimo e mal educado gerente, que insistia em intervir de modo grosseiro e estúpido. Pagamos uma fortuna (120 euros por noite, mais dez de internet e quatorze por duas ou três ligações telefônicas que fizemos). Pedimos ao rapaz gente boa que nos permitisse deixar o carro no estacionamento por mais três horas, com o que ele concordou sem problemas, e saímos para a nossa final lap veneziana, o grande momento da viagem: a gôndola.
Caminhamos até a praça principal da cidade (a Piazza San Marco) e ali procuramos um gondoleiro. O passeio é caro demais, mas a gente que tanto economizou até agora não podia perder a oportunidade. Entramos na gôndola e navegamos suavemente pelos canais, ouvindo o gondoleiro cantar canções italianas de amor e nos explicar coisas sobre a cidade. Foram cerca de trinta minutos desses que toda pessoa deveria ter na vida. Eu e Juzinha, o céu azul, as águas esverdeadas, a calmaria sem carros malucos e pessoas estressadas, o significado do momento. Foi demais, queria poder compartilhar isso com palavras, mas não dá.
Voltamos andando até o hotel, parando para um café e um sorvete. Os sorvetes Italianos são brincadeira de deliciosos, além de terem um visual que enche os olhos. Ao chegar no hotel para apanhar o carro, fomos atendidos pelo Gerente estúpido, que reclamou do fato de termos deixado o carro ali. Fiz que não entendi, pois não queria deixar o empregado em maus lençóis. O imbecil do gerente, percebendo que não adiantaria continuar falando, entregou-me as chaves e nós sumimos. Eu pretendia pagar, mas a grosseria do cara me desmotivou.
A viagem pra Milão foi rápida e tranqüila, com uma parada para jantar no posto (outra vez em um dos restaurantes da rede Ciao). Macarrão de novo, salada e coca cola. Às sete horas, chegamos ao hotel em Milão, ou melhor, ao apart hotel. De cara, não gostamos muito do lugar, meio escuro e com bares nos arredores. Aliás, Milão é feia. Bem feia. Tirando o centro e as ruas comerciais glamourosas, a cidade é sombria, pichada e não merece grande aplauso no circuito Europeu.
Eu havia dito ao proprietário que chegaria por volta das quatro. Pedi desculpas pelo atraso, e ele me recebeu normalmente, sem problemas. Fez o check in, entregou-me as chaves, colocou-se à disposição e partiu. Instalei a Juzinha e fui parar o carro na rua mesmo, pois achei o estacionamento longe e caro (vinte euros pela noite). Todo mundo para na rua, pra que eu ia gastar dinheiro? Só que havia um problema. Um não, dois: teríamos de deixar o local às oito da manhã e havia obrigação de comprar ticket de estacionamento, ao custo de dois euros.
Procurei demais esse ticket. Não havia máquinas como nas demais cidades. Depois de umas duas horas de procura, voltei ao hotel e procurei o Administrador, uma espécie de zelador. Ele me explicou que os tickets são vendidos em tabacarias. Perguntou-me se eu era o Marcelo. Eu disse que sim. E ele, pasmem, me passou um puta dum sabão por conta do nosso atraso! Disse que eu paguei pouco pelo quarto, que deveria ter ligado avisando que atrasaria, que não tive respeito e coisa e tal. Pedi desculpas, fui idiota, não consegui reagir. Depois passei a noite pê da vida, sem nada poder fazer.
Deixa pra lá. Amanhã, fim de Itália. Na boa, perdi a vontade de me naturalizar. Se é pra ser compatriota de gente como essa, prefiro ficar só brasileiro mesmo. Juro, deu vergonha dos nossos antepassados.Desculpem, amigos italianos, eu sei que é generalização idiota, mas eu tô muito, muito puto.
Fomos!