terça-feira, 17 de novembro de 2009

A Alemanha é a Alemanha

Após gastarmos os nossos últimos francos suíços colocando gasolina no carro, deixamos os arredores de Zurique com destino a Munique, nossa etapa seguinte. E tivemos uma boa surpresa no caminho: acabamos cortando um pedacinho da Áustria, o que nos permitiu computar mais um país no nosso trajeto. Foram meros quarenta quilômetros, mas a gente fez questão de parar pra comprar algo no posto e dizer que pisou no chão Austríaco. Na prática, o cenário é meio parecido, mas tem sempre um gostinho, ainda que já fosse noite e não desse pra ver bem a paisagem, salvo as luzes das cidades e as placas de fronteira.

Logo depois entramos na Alemanha e já tomamos a primeira via rápida. Aqui, não há limite de velocidade nas estradas, salvo em alguns pontos e horários específicos. Você pode andar a tudo que o seu carro puder. E to eu lá, felizão, a cento e quarenta por hora, me achando o máximo dos máximos, quando passa um Porsche ou um Audi a duzentos e sessenta ao meu lado, me fazendo sentir que estou a dez por hora. Mesmo assim não reclamo do Peugeotzinho 107. Cabe em qualquer canto, gasta pouco e tem um motorzinho bem razoável.

Juzinha, mais uma vez, capotou como co-pilota. Ela dorme 70% de todas as viagens. Eu vou na base do Red Bull, Coca Cola e Chocolate. Por volta das oito da noite, aportamos em Munique, e nossa primeira atitude foi parar para comer – afinal, a última refeição de verdade havia sido o excelente café da matina no hotel em Zurique. Juzinha quis Mc Donalds. Deus do céu. Comprei, e foi minha primeira experiência com uma alemã que não sabia inglês. Desgraça de tudo, ninguém se entendendo, deu certo na mímica. Fiquei feliz em descobrir que aquele era o primeiro Mc da Alemanha, aberto em 1971 (havia uma placa no local).

Levamos o rango para comer no hotel. E que hotel! O quarto do NH Munich é nível Bloco do Asa de Segunda Feira de Carnaval em Salvador. É mais que um quarto, é um apartamento. Cozinha pequena adaptada, uma sala grande, quarto separado, lavabo e banheiro apartados. Estacionamento gratuito, lugar tranqüilo, só o café da manhã era absurdo, e nós dispensamos. Tudo saiu por meros 45 euros a noite, pechincha em termos europeus para um hotel quatro estrelas. Outro em que a gente ficou triste por não ter mais tempo.

Munique de domingo é meio marasmático. O comércio estava inteirinho fechado, nem mesmo uma loja de souvenir. Restou-nos ver as lindas vitrines de natal animadas, caminhar até a Marienplatz, observar as lojas chiques, as igrejas gigantescas em estilo gótico, as construções estilosas. Estava muito frio, e depois de um look rápido na Odeonplatz, voltamos ao carro e circulamos um pouco de viatura, no ar quente e vendo as coisas bonitas que a cidade tem. Aqui também há um rio, e palácios e construções majestosas. Tudo tem imponência, a imponência da Alemanha, uma desgraça que é destruída e, em menos de quatro décadas, se reconstrói e volta a ser a mais forte da Europa. Riqueza, modernidade e tradição em convívio, gente educada, mas um toque de loucura. Vimos uns punkies medonhos fazendo barulho e tomando cerveja num local meio ermo. Desviamos. Mania de brasileiro.

Munique pra gente durou umas quatro horas. Preferimos não demorar e rumar para Frankfurt, que é perto, mas é estrada rápida também. Todo cuidado é pouco. E quatro horas depois – contabilizadas paradas largas para todo tipo de coisa, desde comer e usar o banheiro a simplesmente esticar as pernas – cumprimos mais um trecho. Está chovendo de novo. Merda, a chuva não nos abandona. Rango no Burguer King (Juzinha não cansa) e hotel, um bom hotel, não do nível dos anteriores, mas grande, limpo e confortável. Agora, vamos comer chocolate Lindt e olhar fotos, enquanto vocês se preparam para mais um dia de trabalho.

Quem mandou não fazer dívida?