quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Prejudicada pelo Toró

Frankfurt anoiteceu e amanheceu chuvosa, mas muito chuvosa. Acordamos tarde, e ficamos morgando no quarto, arrumando malas e mexendo na net. As desgraçadas das arrumadeiras não nos deixavam dormir, e toda hora batiam na porta, quando simplesmente não enfiavam a cabeça pra dentro. Aqui existe essa maldita mania: eles vêm e abrem a sua porta. Não adianta trancar, pois eles usam a chave reseva, e dá nove da matina uma enfia a cabeça no seu quarto pra ver se é hora de arrumar. Juzinha ficou puta da vida, eu também. Na hora de sair, a Ju fez aquela cara de asco que me assusta. Havia seis arrumadeiras na porta do nosso quarto esperando – e, que fique claro, nós saímos antes do horário do check out.

O pé d’água desanimou total. Frankfurt era uma promessa, mas acabou afundada no mau tempo. Mesmo assim arriscamos o passeio, e até que valeu a pena. Há lugares muito bonitos, em especial uma praça central bem com cara de Alemanha, de Oktoberfest, aquelas casinhas pontudas e um chafariz diferentão no meio. Souvenirs, fotos, guarda o guarda chuva, pega o guarda chuva, guarda de novo e caminhamos na direção do centro comercial. Riqueza pura, prédios estilizados, ornamentação natalina. Mas... mendigos.

Foi a primeira vez que vi na Alemanha. E vi pelo menos uns quatro no dia, além de uma turma de árabes tocando música pra ganhar grana – o que é igual sintoma de problema. O mendigo alemão não te pede dinheiro. Fica apenas com um copo na frente e olhando pra baixo. Parece que tem vergonha de ser mendigo, diferente do brasileiro, que ostenta até um certo orgulho da desgraça. São tão discretos que até passam despercebidos. A gente, de fora, nota de relance. Mas se você estiver em grupo grande, nem enxerga. Nisso são iguais aos Brasileiros, invisíveis aos olhos.

Tomamos café no Mc. Esse valeu, torta de morango e Brownie com chocolate quente gigante, tudo por oito euros, barato para os padrões locais. Mc tá virando rotina, e eu to me cansando. Preciso de alimento. Juzinha acho que chegou nesse ponto também, graças a Deus. Voltamos pelo mesmo caminho de vinda e paramos para a inevitável compra de blusinha e o escambau. Tem muita coisa legal aqui, o instinto consumerista te devora. Dá vontade de comprar, você se motiva por pensar como é difícil vir, e abre o bolso. Mas, se não se cuida, chega ao fim do dia e chora. Eu to controlando a Juzinha, porque ela ainda tá na de querer tudo.

A chuva desmotivou mesmo. Voltamos ao carro e rodamos um pouco , passando pelo Rio Main, pelo centro financeiro e a estação central. Frankfurt, me parece, foi destruidíssima na Guerra, e se reergueu. Hoje é o segundo aeroporto Europeu em freqüência (perde pro de Londres) e uma das capitais de finanças do continente. Dinheiro não falta, e onde há dinheiro há beleza. O centro me lembrou Campinas em algumas cenas, não sei bem o porquê. A Juzinha gostou, mas a chuva matou demais. Bora pra Brugges rezando pra que o tempo melhore.

Seis horas de estrada, seis longas horas. Ju dormindo a maioria do tempo de novo. Paramos comer, e mandamos ver em carne com fritas e salada (a gente queria arroz, mas nenhuma das atendentes entendeu. Sacamos que aqui na Alemanha uma boa parte do povo não fala merda nenhuma de inglês também). Depois continuamos até cortar um pedacinho da Holanda (uma pontinha, mas era Holanda) e entrar na Bélgica, terra linda e estranha, com pouquíssimos postos à beira da estrada e com pista inteiramente iluminada – há postes na estrada inteira, ou pelo menos desde a entrada do país no sudeste até Brugges, um trajeto de mais de duzentos quilômetros.

Brugges é pequenininha, uma Dois Córregos do primeiro mundo, com casinhas baixas e estilão germânico. O nosso hotel é na verdade uma casa de hóspedes, e o quarto é muito bonito, apensar de menor do que os anteriores. Os proprietários da casa são muito simpáticos e solícitos, fazem tudo para ajudar. Vejamos se a cidade corresponde.

Abraços!